Cinemateque


Desafio no Bronx by blogcinemateque
maio 30, 2008, 7:09 pm
Filed under: Luciano Lima

A estréia de Robert de Niro como diretor ganha pela simplicidade da história contada. Recheado de aspectos que fizeram do bairro novaiorquino bastante conhecido pela violência e domínio de mafiosos, o longa tem como base a vida de um garoto e seu amadurecimento perante as situações do lugar.

Calogero (Francis Capra) é uma criança que, como qualquer outra, se impressiona pelo poder. É exatamente o que Sonny (Chazz Palminteri) representa com tantas pessoas prontas para obedecer à sua volta. A aproximação entre os dois acontece após um assassinato do qual Calogero é testemunha e Sonny culpado, mas o garoto decide não entregá-lo a polícia, o que gera uma espécie de admiração inicial do mafioso pelo garoto. Toda essa aproximação é extremamente hostilizada por Lorenzo (Robert De Niro), pai do garoto.

O roteiro é baseado na peça de mesmo nome, escrita por Chazz Palminteri, e capta muito bem a época em que grupos criminosos dominavam a periferia das grandes cidades com punhos de ferro e uma pitada de estilo. Palminteri tem uma visão bastante objetiva sobre como as companhias e até mesmo o próprio bairro influenciam nas mudanças de percepção de Calogero usando o personagem para servir de espelho para vários temas como más companhias e o preconceito irracional da época.

Enquanto isso De Niro opta por seguir um grau de direção mais seco, dando espaço para que as atuações e situações falem por si. Ele próprio, como de costume, oferece uma interpretação intensa de um pai de família incapaz de competir com a riqueza e o poder de Sonny, sendo obrigado a dividir a educação do filho com um fora da lei. Na verdade Lorenzo também se passa como preconceituoso sempre pronto a julgar o mafioso independente do que tenha feito.

Desafio no Bronx é um filme que consegue, através da simplicidade que habita em seus relatos, reunir pontos importantes na formação do caráter: experiências (erros e acertos), julgamentos e consciência.



Dos quadrinhos para as Telonas by blogcinemateque
abril 19, 2008, 6:17 pm
Filed under: Luciano Lima

Até onde adaptações precisam ser fiéis? O que é relevante numa história inspirada? É realmente importante que nós, como meros expectadores em busca de entretenimento, sejamos obrigados a conhecer a fonte de inspiração de roteiristas e diretores para sentirmos uma experiência plena

Há muito mais por trás de uma adaptação do que a simples transferência. Às vezes é até mesmo necessária uma alteração para que a trama se adapte corretamente ao outro tipo de mídia que pretende atingir. Agrade ou não aos fãs, o que importa é parecer convincente.

Em tantos anos de cinema os números de adaptações são incontáveis. Nos dias de hoje torna-se ainda mais comum o uso histórias contadas através de outras mídias na tentativa de trazer mais pessoas para as salas de projeção, além de introduzir novas pessoas às histórias as quais não tiveram acesso, reforçando assim o lucro em outras áreas.

Uma mídia bastante explorada nos dias de hoje para a criação de superproduções são as histórias em quadrinhos. Um dos filmes mais caros da história do cinema, Homem-Aranha 3, é um ótimo exemplo de como filmes nesse padrão conseguem atingir níveis elevados nas apostas de produtores e distribuidoras. Mas por que Homem-Aranha, Superman, X-Men e Batman (aqui me refiro aos filmes de Burton e Nolan) tornaram-se filmes tão lucrativos? A resposta é simples: Aqueles por trás de cada uma dessas produções tinham em mente mais do que uma simples transferência.

Richard Donner, diretor de Superman (1978), ajudou a abrir caminho da melhor maneira possível. A valorização do ser humano que existia no Homem-de-Aço, através do relacionamento com Lois Lane e do amor que sentia pela raça que o acolheu, foi o bastante para que muitos fãs e leigos tivessem a mesma opinião positiva sobre o longa. É possível, apenas com o filme de Donner, ter uma pista sobre o que aproxima o público de uma produção baseada num super-herói ou em alguma história contada em quadros. Seja qual for o personagem há sempre a possibilidade, por menor que seja, de trazer este para perto daqueles que acompanham sua trajetória, possibilitando algum tipo de identificação. Essa “cumplicidade” só é obtida quando são deixadas de lado todas as artificialidades que insistem em se mostrar mais apelativas na tela que no papel.

Para não ir muito longe, O Motoqueiro Fantasma é um bom exemplo do que um roteiro mecânico e sem criatividade consegue fazer com uma trama de base até interessante. Na mesma linha, Demolidor consegue atingir níveis ainda mais elevados de qualidade que Motoqueiro Fantasma apenas por possuir uma trama menos apelativa e elenco (leia Colin Farrell) ciente do que está acontecendo. O elenco, aliás, é um bom ponto. Reparem na criatividade com a qual Bullseye (Farrell) foi concebido e percebam como Black Heart (interpretado por Wes Bentley) é extremamente caricato. O distanciamento do próprio ator com o personagem que cria é inevitavelmente percebido pelo expectador, como no caso de Ben Afleck (Demolidor) ou Nicolas Cage (Motoqueiro Fantasma). Há também aqueles que, por motivos inexplicáveis, modificam boa parte da essência contida na fonte e criam outra história. É o caso d’O Justiceiro. O fato de ser inspirado não quer dizer que a personalidade do protagonista precisa ser modificada. O filme poderia se chamar qualquer outra coisa e sair ileso de críticas dos fãs de Frank Castle (Justiceiro), além de se sair como um filme de ação mediano.

A quantidade também se torna um grande problema quando o assunto é vilão ou elenco de apoio. A adaptação mais ridícula da década de 1990 (e dos dias de hoje também), Batman e Robin, prova que, sem preparo, quantidade é um risco mais que desnecessário numa trama. Mas não é apenas de excesso no elenco que B&R serve como exemplo. Um filme baseado em elenco famoso, beldades, efeitos e piadinhas infames é uma aula de como fracassar numa produção cinematográfica.

A saga de Batman ainda favorece uma ótima comparação. O que Burton e Nolan fizeram que Joel Schumacher não conseguiu? Vamos por partes. As personalidades são a chave de qualquer trama. Enquanto Burton aproveita as situações para fazer o público se interessar pelos vilões (o memorável Coringa criado por Jack Nicholson, Denny DeVitto e seu sensivelmente grotesco Pingüim e a sensual Mulher Gato de Michelle Pfeiffer) e Nolan consegue êxito em aprofundar-se nos traumas de Wayne, Schumacher torna o protagonista fútil e desperdiça ótimos vilões e atores em tramas limitadas.

Até mesmo na direção de arte há diferenças gritantes de qualidade. A Gotham de Burton é um cenário perturbado, o lar perfeito para os inimigos de Batman ao mesmo tempo que abriga com maestria o cavaleiro das trevas. Nolan prefere aproximar Gotham de uma metrópole convencional, sucateada pela marginalidade e mórbida em essência. Já Schumacher… Uma Grande Boate Psicodélica, esta é a melhor definição do que o diretor fez a cidade do Homem-Morcego com todos aqueles néons e dançarinos contratados como figurantes.

Repare que não há necessidade de fazer comparações entre as revistas. É algo de bom senso. Se farei um filme sobre um homem perturbado por presenciar a morte dos pais quando criança, que se veste de morcego para combater o crime enfrentando inimigos doentios, quais são as escolhas que farei para tornar esse meu personagem mais próximo de algo real?

E é esta proximidade que Raimi, com Homem-Aranha, e Singer, com X-Men, usam como principal atrativo para uma massa sedenta por diversos tipos de entretenimento numa só produção. Conflitos pessoais, efeitos, pancadaria… enfim. Tudo aquilo que um blockbuster é e mais um pouco. Singer praticamente ressuscitou o gênero quando lançou X-Men. Mais que uma produção sobre jovens mutantes, o filme do diretor de Os Suspeitos usou fantasia para levar a tona a afirmação de que preconceito é nada mais que o medo mórbido do diferente. Mas foi Raimi quem conseguiu criar a melhor obra de adaptações de quadrinho.

Peter Parker já era símbolo de muitos nerds quando habitava apenas os quadros de uma revista. Sam Raimi, diretor do fantásticos Evil Dead 1, 2 e 3 (sendo o segundo o melhor filme trash que já vi), tinha a missão de transformar o garoto com poderes de aranha num filme que desse lucro. Peter é um adolescente comum e os poderes que ganha só trazem ainda mais problemas. A própria história criada por Stan Lee proporciona uma aproximação maior com uma massa generalizada de jovens entre 13 e 25 anos, afinal quem nessa idade nunca passou por problemas? Seja com o próprio corpo ou com as pessoas que convivem com você. É uma pena que Raimi tenha cedido aos empresários e fãs insistentes criando um final muito abaixo das expectativas criadas pelos roteiros anteriores, afastando o público da identificação que existia nos primeiros longas.

É tudo uma questão de essência. Lembrando que não comentei sobre filmes que se baseiam em quadrinhos que mais se aproximam da realidade como os ótimos Marcas da Violência, Do Inferno e Ghost World, mas a idéia é a mesma: capturar as idéias e adaptá-las. Parece simples, mas, definitivamente, não é.



Los Angeles – Cidade Proibida by blogcinemateque
março 19, 2008, 3:44 pm
Filed under: Luciano Lima

Na década de 50 vários distritos policiais norte-americanos eram conhecidos por viverem na linha tênue entre a lei e o crime. Una isso ao showbizz de Los Angeles e uma época bastante rentável e nada politicamente correta vem à tona. É exatamente nesse período da história em que se baseou o escritor James Ellroy para criar uma série de livros chamada “The L.A. Quartet” (fortes influências de sua conturbada vida pessoal são evidentes dos trabalhos). Curtis Hanson soube transformar um dos contos de Ellroy numa obra que conseguia o que há muito não víamos, beneficiar-se tão bem do que foi deixado pelo cinema noir.

Um evento conhecido como “Natal Sangrento”, no qual policiais espancaram um grupo de latinos na véspera de natal, era toda a publicidade que o distrito de Los Angeles não necessitava. Isso resultou na aposentadoria forçada de dois agentes, na punição de um e promoção de outro, que não hesitou na hora de entregar os envolvidos no caso. Tempo depois um dos policiais aposentados aparece morto numa chacina que tinha muito mais interesses envolvidos do que realmente aparentava. Três policiais se evolvem no caso que se revela um prato cheio para expor a banda podre da policia de Los Angeles.

Carreira, fama e valores são apresentados sob vários pontos de vista na pele de personagens nada convencionais. Jack Viscennes (Kevin Spacey) representa um grupo de policiais que aumenta de acordo com a proximidade de Hollywood, o tipo que quer fama e reconhecimento do grande público e não mede esforços para aparecer na mídia. Ed Exley (Guy Pearce) é honesto demais para ser um policial, todo seu empenho e ambição para subir na carreira não são muito bem compreendidos por seus companheiros. Bud White (Russel Crowe) é o típico policial marrentão que confunde princípios pessoais com sua vida profissional. Os três são elementos chave na criação de um roteiro (Brian Helgeland e Curtis Hanson) o qual a característica mais marcante é a forma como entrelaça os personagens de forma extremamente meticulosa.

O tratamento dado ao roteiro por Hanson não poderia ser melhor. As escolhas do diretor se revelam acertadas em cada ponto da elaboração do filme, de fotografia (Dante Spinotti) a trilha sonora (Jerry Goldsmith) os companheiros do diretor foram responsáveis pelos passos dados rumo ao sucesso.

E o que seria de Jack sem o cinismo natural de Kevin Spacey? Do fenômeno destruidor que era Bud sem a atuação ensandecida de um Russel Crowe anos luz melhor do que os trabalhos pelos quais foi reconhecido? Ou do ar de despreparo que Guy Pearce se empenhava em deixar claro em Exley? Não digo que são insubstituíveis, mas o elenco de “Los Angeles – Cidade Proibida” é algo a mais no filme, até mesmo Kim Besinger atuou de forma decente, algo longe do Oscar que ganhou pelo filme, mas ainda assim uma atuação razoável.

O interessante do filme de Hanson é que o cinismo, o pessimismo e a violência andam de mãos dadas durante toda a produção, um requisito básico em produções que se declaravam representantes do estilo noir, seria algo extremamente irresponsável não abusar do peso negativo que a trama de Ellroy tem e se o roteiro é competente em transmitir isso em falas, a direção soube aproveitar cada deixa do filme para marcá-lo como um espelho do verdadeiro cinema onde as coisas nem sempre são o que aparentam.



Cinema Brasil: Pouca grana, muitas idéias by blogcinemateque
março 5, 2008, 3:22 pm
Filed under: Luciano Lima

Nosso cinema é um dos melhores do mundo. Basta ler textos estrangeiros de críticos conceituados sobre nossas produções e notar que a percepção do cinema brasileiro é algo que, na maioria das vezes, afeta outras culturas. Seja pela história ou o modo como o diretor conduz o filme, lá fora brasileiros são considerados por muitos como exemplo de expressão artística. Mas e aqui? Valorizamos tanto assim os cinemas de verdade? Será que os olhos da maioria de produtores têm noção da importância do nosso cinema? Infelizmente a resposta é não.

Enquanto filmes regulares (que oscilam entre ruim e execrável) recebem milhões apenas para campanhas publicitárias, a forma que muitos cineastas encontraram para colocar em tela os sonhos é uma verdadeira jornada contra os problemas que a falta de recursos cria. São caminhos opostos que dividem o chamado independente das superproduções.

Os dois caminhos

No Brasil há vários modos de arrecadar dinheiro para uma produção. Uma delas é vender a alma do seu filme, tornando bobinho, clichê e sem qualquer ambição cinematográfica para que isso garanta a presença do público (algo extremamente ofensivo) ou entrar para a cena independente e buscar vários órgãos de patrocínio. Só para se ter uma idéia, há uma variação entre R$ 5 milhões e R$ 250 mil que depende basicamente da sua escolha como diretor.

Uma jornada contra a dureza

Suponhamos que você escolha a segunda opção. Um dos passos é correr atrás de apoio do governo, enviando seu projeto para concorrer nos programas de incentivo a cultura. Geralmente a renda liberada é risível, então, é hora de partir para empresas que tenham um histórico de incentivo ao cinema (como é o caso da Petrobrás, C&A, Riachuello…) e convence-los de que seu filme merece a marca deles. Daí você certamente retirará a maior quantia. Se este é seu primeiro filme, então é basicamente daí que tirará seus recursos.

Agora é hora de adaptar suas idéias ao que você dispõe e pode ter certeza de que isso não é tão fácil quanto parece. Se possível, poupar até nos pequenos detalhes. Seja o diretor, o montador, o figurante, o fotógrafo, a ordem é gastar em material caro, algo nada difícil quando se trata de cinema, e se você tiver em mente o que realmente é a alma do seu filme, então um passo importante foi dado.

Depois de pronto o certo é dar a cara a tapa. Festivais e suas mostras competitivas são o que não faltam em nosso país, alguns com premiações bastante razoáveis. É momento de ver se sua mentalidade sobre arte bate com a dos entendidos e dos cinéfilos que prestigiam este evento. Ganhar um prêmio desses é o pontapé inicial para a criação de um novo filme.

O exemplo

Um forte exemplo de como nosso cinema independente tem um poder de fogo criativo poderoso é O Cheiro do Ralo. O filme custou cerca de R$ 300 mil. Heitor Dahlia (Nina) já tinha em mente os problemas que arrumaria com tão pouco dinheiro. Para se ter uma idéia, parte do recurso saiu do bolso dos próprios envolvidos no projeto, entre eles Matias Mariani – maior colaborador do filme. O restante foi captado pela insistência dos produtores Rodrigo Teixeira e Marcelo Doria.

O modo encontrado por Dahlia de gastar menos com o filme foi a criação dos cenários num galpão e a gravação da única externa (no bar) num local próximo para não haver gastos com transporte.

O Cheiro do Ralo teve uma estréia tímida nos cinemas, mas conquistou vários prêmios importantes para continuidade da carreira bem sucedida de Heitor Dahlia, reconhecido inclusive em Sundance – o festival do cinema independente norte-americano.

Assim como Dahlia há uma enorme parcela de cineastas que buscam nesse tipo de cinema a alternativa para não se calarem frente a produções pretensiosas. E vale tudo, desde filmagens num galpão até usar câmeras digitais para economizar na compra de película. É uma realidade que vem crescendo com o tempo e que já ganha status de movimento cultural, o Cinema de Guerrilha.



Sangue Negro by blogcinemateque
fevereiro 22, 2008, 9:51 pm
Filed under: Luciano Lima

Já repararam que todos os trabalhos de Paul Thomas Anderson são escritos e dirigidos pelo próprio? Se isso não é um fator altamente relevante quando se trata da sincronia entre o que ouvimos e vemos nos filmes deste homem, então não sei mais o que é cinema.

Sangue Negro é sobre a vida de um magnata do petróleo e como a sua chegada na pequena cidade de Little Boston alterou bastante os ânimos, não só dele, com a descoberta de uma fonte gigantesca de petróleo no lugar, mas daqueles que perceberam ser possível tirar proveito da situação e subir na vida também, nem que isso custasse a fé de outros.

O filme é um apanhado irônico e ácido da influência que o poder e o dinheiro têm sobre nossas vidinhas. Seja por Daniel Plainview (divinamente interpretado por Daniel Day-Lewis) e sua necessidade de se manter no topo, ou por Eli Sunday (um Paul Dano ainda melhor que o habitual) e a exploração do desconhecido no intuito de tirar fortuna de desafortunados que passam por seu caminho, o dinheiro é capaz de fazer com que nenhum dos dois tenha limites na falta de escrúpulos.

É o primeiro roteiro e a primeira direção de PTA que adota uma postura mais ávida por sangue e pelo impressionismo baseado em violência bruta. Certamente a moral da história de Sangue Negro, um tanto mais clara que os trabalhos anteriores do diretor, foi essencial para a escolha da Academia, visto que obras como “Magnólia” e “Boogie Nights” estão tão longe da qualidade cinematográfica de Sangue Negro, mas há também o diferencial de um grupo técnico extraordinário.

Sangue Negro foi indicado para oito categorias no Oscar: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Montagem, Melhor Direção de Arte.

Vamos analisar as possibilidades?

Melhor Filme
Esta é a categoria em que dois estão na briga. Onde os Fracos Não Têm Vez e Sangue Negro estão no páreo para levar a estatueta mais concorrida e a chance do filme de Paul Thomas Anderson levar essa é razoavelmente menor pelo simples motivo de que Fargo entra no passado dos irmãos Coen como um agravante. Já que a comédia mórbida da dupla foi esnobada em 97. Mas ainda há o fator “dividir para conquistar”. Como Sangue Negro e Onde os Fracos Não Têm Vez certamente dividiu votos, Conduta de Risco e Desejo e Reparação ganham uma pequena margem de esperanças. Juno seria o grande azarão.

Melhor Diretor
Paul Thomas Anderson merece esse prêmio desde Boogie Nights e as chances de uma vitória são consideráveis. Principalmente por se tratar de um trabalho tão intenso, até mais que o dos Coen, novamente os maiores rivais de PTA.

Melhor Ator
Muito difícil Daniel Day-Lewis não ganhar. Apesar dos ótimos trabalhos de Viggo Mortensen e de Johnny Depp, a Academia adora uma atuação que oscila em vários níveis emocionais e em Sangue Negro há muito disso, tanto da parte de Day-Lewis, quanto o próprio Paul Dano.

Melhor Roteiro Adaptado
Aqui a coisa muda de figura. Onde os Fracos Não Têm Vez vem levando vários prêmios (merecidos) pelo trabalho feito no roteiro do filme e não acho que seja diferente com o Oscar.

Melhor Fotografia
A fotografia de Desejo e Reparação, sob o comando de Seamus McGarvey, é praticamente imbatível aqui.

Melhor Montagem
Uma categoria bem competitiva. As chances de Sangue Negro ganhar não são tão ruins, mas fica um pouco atrás de Ultimato Bourne e Na Natureza Selvagem.