Cinemateque


O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias by blogcinemateque
março 5, 2008, 2:27 pm
Filed under: Victor Nassar

1970, época de ditadura militar no Brasil e também da Copa do Mundo no México. É nesse contexto que se desenrola a história de Mauro, um garoto que vivia com seus pais em Belo Horizonte. Seus pais são militantes contra a Ditadura e precisam sumir por uns tempos, que dizem apenas ser umas férias, mas que voltariam antes que a copa começasse. Ele é deixado então com o avô, que logo vem a falecer, e precisa se adaptar ao estilo de vida um tanto excêntrico de um judeu vizinho dali, que o acolhe em sua casa.  

Entre a angústia pelo retorno de seus pais e a ansiedade pela Copa do Mundo, Mauro vai descobrindo um mundo novo ali no bairro, com muitos judeus e italianos, muita gente idosa, e poucas crianças.  

A história tem um ritmo bem simpático, é interessante perceber todo o amadurecimento do menino, aos poucos ele vai deixando a preocupação pela volta de seus pais e passa a apenas procurar se divertir por ali com as outras crianças. Passa a aceitar a companhia do velho judeu e descobre o quanto essa relação pode lhe beneficiar, seja na hora do café com peixe (que faz bem pra cabeça), ou nos almoços melhores com as senhoras vizinhas, sempre muito atenciosas. Tudo isso, a medida em que vai chegando a copa e todos ali passam a se envolver com o sentimento de união pelo seleção. 

É um filme bem agradável de se ver, por conta não só do roteiro em si, mas pela fotografia, que é bem limpa, e lhe deixa bem a vontade assistindo, como se lhe integrasse à história. E também por conta da trilha, que é simples e bem adequada, caracterizando e dando identidade aos vários momentos do filme, seguindo com a linha do próprio rumo do enredo. 

O que mais me agrada é a linguagem do filme. É meio que uma mistura de cinema “tranqüilo” europeu com elementos brasileiros, mas que não tem nem uma cara de “importado” (não descaracterizando assim o nosso cinema), nem de nacionalista exagerado, que sempre gera aquela reclamação de que são roteiros feitos somente para brasileiros, no qual a história se baseia mais no pano de fundo do que no roteiro em si. Mesmo sendo um filme totalmente habituado em um cenário brasileiro (ditadura e copa do mundo), não toma isso como elemento principal, porque a linguagem em si é universal, seja visto aqui ou na Rússia o filme consegue se posicionar como um filme de grande valor. A simplicidade que há faz com que a história lhe conquiste e seja capaz de atingir qualquer pessoa, em qualquer lugar.  

Só o que falta é que filmes como esse possam ser mais valorizados, e assim produzidos em escala maior do que certas bombas cinematográficas que tem por aí. Ou melhor, por aqui…

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